Guias de vinhos: Conheça os mais renomados e entenda como os vinhos são pontuados

Conheça os principais guias de vinhos

Anualmente, um número considerável de vinhos produzidos em todo o mundo são avaliados por especialistas, e os resultados são publicados nos famosos guias de vinhos.

Estes vinhos costumam ser degustados às cegas, ou seja, os especialistas não sabem qual produto estão provando e julgam uma nota de acordo com as suas percepções.

Todas as vezes em que um vinho é avaliado, seu preço pode aumentar ou baixar de acordo com a crítica, e muitas pessoas terão mais ou menos interesse em adquirir garrafas daquela safra.

Nesta publicação listamos os mais renomados guias de vinhos, explicamos como os vinhos são pontuados e se corremos algum risco de não gostar de vinhos com altas pontuações.

Tenha uma boa leitura!

O que são os guias de vinhos e por que eles existem?

O que são os guias de vinhos e por que eles existem?

Os guias de vinhos são publicações que reúnem uma ampla gama de produtos que foram bem avaliados por degustadores profissionais. Cada produto recebe uma pontuação que é acompanhada por uma nota de degustação, ou seja, uma descrição das características do produto.

A principal razão para avaliar vinhos é mostrar ao mercado e aos consumidores, o que de melhor está sendo criado nas principais regiões produtoras, segundo a opinião de quem avalia. Já a pontuação nos permite saber qual vinho o degustador mais gostou entre tantos que foram avaliados.

Mas, se o gosto é uma questão pessoal, devemos confiar nas pontuações de especialistas?

É o que veremos adiante.

Como são realizadas as avaliações de vinhos?

Como são realizadas as avaliações de vinhos?

As avaliações normalmente são realizadas comparando vinhos similares – que fazem parte de um mesmo tipo ou estilo, produzidos com as mesmas uvas, nas mesmas regiões e elaborados através das mesmas técnicas.

Isso significa, por exemplo, que os vinhos brancos serão comparados com outros brancos, os vinhos tintos com outros tintos e o mesmo acontece com os demais tipos.

Em uma outra situação, um vinho de Bordeaux feito à base de Cabernet Sauvignon não será comparado com um Cabernet Sauvignon chileno, já que o fator terroir é determinante para que os vinhos apresentem características totalmente distintas.

Portanto, temos que ter em mente que vinhos que recebem a mesma pontuação podem oferecer experiências de degustação completamente diferentes, caso tenham sido feitos com uvas, técnicas ou em regiões diferentes.

Também é importante destacarmos que a avaliação de vinhos é feita totalmente às cegas, ou seja, os avaliadores não sabem qual a marca, produtor ou preço do vinho. Isso garante  imparcialidade nas avaliações e pontuações justas.

Mas, afinal, o que o avaliador procura encontrar no vinho?

Em uma avaliação profissional de vinhos, o degustador se concentra nas seguintes características da bebida:

  • Cores e aparência geral
  • Aromas (primários, secundários e terciários)
  • Sabores
  • Final de boca (ou retrogosto)

Mas não é só isso. Existem outros fatores que também são extremamente importantes:

Estilo do vinho – se está de acordo com a “categoria” que representa. Por exemplo, um espumante com a classificação brut não será bem avaliado se tiver um sabor doce.

Representação varietal – se as características que o vinho apresenta estão totalmente de acordo com as características da(s) variedade(s) de uvas presentes.

Representação regional – o quanto as características “tipificam” a região de onde vem o vinho, ou seja, se é um fiel representante do terroir de origem.

Por que a maioria dos guias pontuam os vinhos com máximo de 100 pontos?

Por que a maioria dos guias pontuam os vinhos com máximo de 100 pontos?

Existem diversos sistemas de classificação de vinhos, mas o mais famoso e utilizado é o sistema de 100 pontos, que teve início na década de 1980 com o respeitado crítico Robert Parker.

Mesmo criticado no início, por muitos acharem que o sistema de Parker simplifica demais a experiência de degustação, o método ganhou força e logo foi incorporado em importantes guias como Wine Enthusiast, Decanter Magazine e Wine Spectator.

Mas, o que cada uma das faixas de pontuação criadas por Robert Parker diz sobre os vinhos avaliados?

96 – 100 pontos

Um vinho extraordinário, de caráter profundo e complexo que apresenta todas as características de suas principais uvas. Vinhos com essa pontuação oferecem uma experiência de degustação incomparável do início ao fim.

90 – 95 pontos

Um vinho fantástico, de complexidade e caráter excepcionais. Estes vinhos estão entre os melhores para comprar, pois apresentam muita qualidade, sem atingir os preços altos que muitos rótulos com mais de 96 pontos atingem.

80 – 89 pontos

Nesta faixa mais ampla, encontram-se vinhos um pouco acima da média até vinhos muito bons. São exemplares sem defeitos, que exibem vários graus de sutileza e sabor, mas sem as qualidades extras encontradas nos melhores vinhos.

70 – 79 pontos

Um vinho médio com pouca distinção, exceto pelo fato de ser um vinho bem feito. Em essência, um vinho simples sem muita expressão.

60 – 69 pontos

Um vinho abaixo da média, que contém defeitos visíveis, podendo ser excesso de acidez  e/ou de tanino, ausência de sabor ou aromas e sabores desagradáveis.

50 – 59 pontos

Um vinho inaceitável.

Devemos comprar um vinho apenas pela pontuação? Qual a chance de nos decepcionarmos?

Como escolher um bom vinho

Pontuações não indicam, necessariamente, o quão saboroso é o vinho.

Uma pontuação alta demonstra o nível de qualidade que o profissional avaliador encontrou na bebida, levando em consideração os diversos fatores mencionados anteriormente.

Entre os variados estilos da bebida, podemos utilizar como exemplo os chamados vinhos laranja. Eles são vinhos brancos fermentados com a casca, cuja coloração é mais intensa que os demais brancos, e seus aromas e sabores, completamente diferentes dos brancos convencionais.

As altas pontuações que alguns vinhos laranja recebem, indicam que estes vinhos se destacaram dentro desta categoria, mas, se o nosso paladar não se adapta a este estilo, as pontuações não farão diferença alguma.

O mesmo se aplica às variedades de uvas e regiões produtoras. Se o nosso gosto pessoal não estiver de acordo com as características de uma determinada uva ou vinho produzido em determinada região, não serão as altas pontuações que nos farão gostar mais desses vinhos.

Uma boa dica é sempre checar as descrições dos vinhos para entender seu estilo e  características, e não apenas se concentrar em sua pontuação.

Por que o mesmo vinho recebe diferentes pontuações?

Por que o mesmo vinho recebe diferentes pontuações?

Isso pode acontecer por diversos motivos. O primeiro deles, é que muitas vezes os críticos têm opiniões diferentes.

Com o tempo, percebemos que alguns críticos ou guias de vinhos costumam ser menos “generosos” do que outros. Na imagem acima, vemos que o vinho Don Melchor 2018 recebeu 100 pontos do crítico James Suckling e 95 pontos da revista Wine Spectator. Embora as duas pontuações sejam altas, fica claro que os avaliadores interpretaram as características do vinho de maneira diferente.

Diferentes safras do mesmo vinho também podem receber pontuações distintas. As condições climáticas de uma região nunca são exatamente iguais aos anos anteriores, e isso faz toda a diferença para os vinhos. É por esse motivo que algumas regiões importantes como Borgonha e Bordeaux, na França, tem as suas tabelas de safras, onde é possível conferir, ano a ano, as notas atribuídas por especialistas para cada safra.

Também é importante lembrar que as descrições e pontuações atribuídas aos vinhos maduros (garrafas com mais de 20 anos), são exclusivas para as garrafas que foram avaliadas.

Isso acontece porque cada garrafa de vinho é armazenada e envelhece de maneira diferente, e não é incomum que garrafas de uma mesma caixa, guardadas há muito tempo, ofereçam experiências de degustação completamente diferentes.

Existe alguma diferença entre um vinho de menor preço e um vinho de maior preço que receberam a mesma pontuação?

Existe alguma diferença entre um vinho de menor preço e um vinho de maior preço que receberam a mesma pontuação?

Primeiramente, é importante sabermos que inúmeros são os fatores que contribuem para que um vinho atinja preços mais altos.

Podemos começar pelos custos de produção, que engloba o tratamento dos vinhedos, colheita, equipamentos, profissionais envolvidos em todo o processo, embalagens, armazenamento, etc. Depois temos os custos de venda, distribuição, exportação, propaganda, marketing, entre outros.

Há também o fator natureza. Algumas regiões ostentam terrenos que são conhecidos por terem as melhores condições de desenvolvimento de determinadas uvas. Estes terrenos, quando somados às safras consideradas excepcionais, afetam toda a oferta e demanda pelo produto. Consequentemente, os vinhos destas áreas serão mais caros que os demais. 

Além disso, não podemos esquecer que alguns vinhos podem ser enquadrados na categoria de “luxo”. Então, eles são caros simplesmente porque podem ser.

Toda esta introdução é para dizer que uma garrafa de vinho é precificada não somente pelo seu sabor ou qualidade, e que é possível encontrarmos vinhos com características similares, com a mesma pontuação, porém, com preços totalmente diferentes.

E se um vinho não tiver pontuação, devemos comprar?

E se um vinho não tiver pontuação, devemos comprar?

Existem muito mais vinhos que não foram avaliados do que vinhos avaliados.

Apenas como exemplo, a prestigiada revista norte-americana Wine Spectator avalia mais de 15.000 vinhos por ano em degustações às cegas. Por mais expressivo que seja esse número, ele é apenas uma gota no imenso oceano de vinhos que são produzidos todos os anos.

Como dito anteriormente, pontuações não indicam o quão saboroso é o vinho. Por isso, quando estivermos diante de vinhos similares, onde um é pontuado e o outro não, isso não significa que o vinho sem pontuação seja inferior.

Os motivos para um vinho não ter sido avaliado são muitos. As novas safras, por exemplo, podem levar algum tempo para serem enviadas para uma avaliação.

Quem são os principais críticos e guias de vinhos que utilizam o sistema de 100 pontos?

Na Vino Mundi, mantemos sempre atualizadas as mais relevantes pontuações do vinho de acordo com a safra. Confira alguns dos mais renomados guias e críticos de vinhos:

Robert Parker (RP)

O advogado Robert M. Parker Jr. decidiu publicar sua própria revista de vinhos no início dos anos 1970, a The Wine Advocate. A publicação que permanece viva até os dias de hoje, conta com diversos críticos que avaliam vinhos de diferentes partes do mundo. Famosa pela sigla RP, a avaliação de Robert Parker ainda é uma das mais cobiçadas do mundo. Um dos vinhos mais bem pontuados por Robert Parker é o argentino Gran Enemigo Single Vineyard Gualtallary, que recebeu 98 pontos na safra 2014.

Guia Descorchados (DES)

O Guia Descorchados – o mais importante guia de vinhos sul-americanos, foi publicado pela primeira vez em 1999, e desde então, vem destacando o que há de melhor em vinhos da Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Um vinho que recebeu grande destaque pelo Guia Descorchados foi o Concha y Toro Amelia Chardonnay, com 97 pontos na safra 2018.

James Suckling (JS)

Um dos maiores especialistas em vinhos da atualidade, o jornalista e crítico de vinhos James Suckling passou quase 30 anos como Editor Sênior da respeitada revista americana Wine Spectator. Hoje, dedica-se à sua própria publicação online, tida como uma das mais influentes do mundo dos vinhos. Além do Don Melchor 2018, que recebeu incríveis 100 pontos do crítico, outro vinho bem avaliado foi o espanhol Marques de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial, com 99 pontos na safra 2010.

Tim Atkin (TA)

Com mais de 30 anos de experiência, Tim Atkin é um premiado escritor de vinhos e Master of Wine que escreve para várias publicações, incluindo Harpers, Decanter Magazine, The World of Fine Wine, Gourmet Traveller Wine e The Drinks Business. Um excelente vinho branco que se destaca pela alta pontuação de Tim Atkin é o argentino Michelini i Mufatto Certezas Semillón, com 98 pontos na safra 2017.

Wine Spectator (WS)

A revista norte-americana Wine Spectator foi fundada em 1976 e é considerada a mais importante e influente da indústria de vinhos, com editores que analisam mais de 15.000 rótulos por ano em degustações às cegas. Um vinho que tem uma excelente relação entre pontuação e preço é o Castellare di Castellina Chianti Classico DOCG, com 94 pontos na safra 2017.

Conclusão

Como vimos nesta publicação, altas pontuações demonstram o nível de qualidade que o profissional avaliador encontrou nos vinhos, levando em consideração diversos fatores importantes.

No entanto, as pontuações não indicam o quão saboroso é o vinho. Se o nosso gosto pessoal não estiver de acordo com o estilo do vinho, as características da uva ou de determinada região, não serão as altas pontuações que nos farão gostar mais desses vinhos.

Também não podemos esquecer, que vinhos com a mesma pontuação podem nos oferecer experiências de degustação completamente diferentes, assim como podem ter  preços totalmente diferentes.

Para não errar na escolha de um bom vinho, uma boa dica é sempre checar as descrições do produto para entender seu estilo e características, e não apenas se concentrar em sua pontuação.

Um brinde!

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